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A porra do amor
Eu tinha que dizer alguma coisa. Em menos de uma hora ela partiria para sempre. Nunca mais seria minha. Por dois anos nos amamos. Mas isso não é suficiente. É preciso algo mais. E ninguém sabe ao certo o que diabo é esse algo mais. Vôo para Londres. Me dá vontade de rir, mas apenas choro por dentro. É um adeus, nos beijamos. Sinto sua saliva, o derradeiro néctar do que restou de nosso amor. A textura de sua língua não exala mais aquele desejo ardente do primeiro beijo, parece agora apenas piedade. Nada mais dela será meu. Sinto seus seios comprimidos em meu peito, mas não há tesão, como outrora, apenas angústia e tristeza. Nunca mais vou abraça-la no sofá no final da noite para assistirmos coisas idiotas na televisão. Não haverá mais ciúmes, nem aquelas brigas gostosas. Certamente sentirei falta, e vou lhe escrever cartas intermináveis, talvez não envie todas, mas algumas serão postadas. Ela responderá algumas, trocaremos palavras de amor, até que tudo esfrie definitivamente. É a partida, enfim. Eu ainda a amo, e devo fazer alguma coisa para foder com tudo isso. Ainda a sinto em mim, mas não mais aquele suor lascivo, ou seus leitosos líquidos sagrados, sinto agora apenas suas lágrimas corroendo meu tecido opaco. Cheguei a julgar esse amor infinito. Durou pouco. Em breve ela estará na cama de outro. E, na minha, terei então outra mulher. É o grande ciclo que se renova. Haverá então outros tantos gozos que, com o tempo, vira amor de novo. Excesso de gozo vira amor. Uma trepada com uma mulher não é nada. Duas trepadas já é alguma coisa. Três é tesão de verdade. Quatro é paixão. Cinco é sinal de perigo. Mais que isso é amor. E depois é esperar o fim melancólico. Amor bom precisa acabar, senão amadurece e se estraga.
Escrito por Cass às 22h31
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E Beth foi pra roça...
Conheci Beth numa temporada que passei em Belo Horizonte. Perambulamos juntos pelos bares de lá e me surpreendi de como ela era capaz de beber muito mais que eu. Uma garota extraordinariamente exótica com seus trinta anos e completamente fora de órbita. Pele perfumada e boca macia, sua magia de fêmea está no olhar: ao mesmo tempo insano, quase pueril e profundamente sedutor. Gosto de mulheres assim. Beth não dá a mínima para grana. Não parece ser rica, é que simplesmente não se importa com essa coisa de dinheiro. Pagava as cachaças quando pedia e tinha algum troco ou simplesmente me perguntava se eu tinha cinco paus para outras duas doses. Não é aquele tipo de garota que fica ali esperando que a gente pague as coisas. É do tipo que sabe se virar. E paga tudo até sair seu derradeiro centavo. Depois tenta dar um jeito de continuar a noite bebendo. Logo quando nos conhecemos eu imaginei que seria um boa foda. Depois me afeiçoei a ela. E isso torna a foda um pouco mais complicado. Numa noite passamos dos limites etílicos e acho que essa seria nossa grande noite de sexo. Mas não aconteceu. A noite se perdeu assim, entre lágrimas e despedidas. Mas nunca mais perdi contato com Beth.
Agora em Sampa ela me liga. Estava chateada com um amigo que lhe prometera um trabalho e as coisas não deram muito certo. Honestamente não consigo imaginar Beth trabalhando. É uma mulher inteligente, sensível e se formou com louvor em direito. Mas o trabalho não foi feito pra ela. Essas coisas exigem disciplina, seguir rígidos padrões e ser regido por regras. Beth tem uma natureza revolucionária e possui uma genética psicológica alterada por substâncias ainda não desvendadas pela ciência. Não vai nunca aceitar nada que não seja suas próprias convicções que, aliás, mudam com uma velocidade impressionante. Muitas vezes seus conceitos que até então pareciam demasiadamente sólidos desabavam já na terceira ou quarta dose. Ou, ainda, no segundo baseado. Beth é uma garota adoravelmente indômita. Ainda hoje imagino que ela seja uma grande foda. Mulheres assim, via de regra, fodem bem.
Não sei por que razão Beth aceitou trabalhar na pousada desse tal amigo. Talvez porque queria simplesmente viajar por um tempo sem gastar um tostão e, ainda por cima, desfrutar de uma boa trepada com o sujeito. Lá foi Beth para as montanhas. Uma fera pertencente às sombrias selvas urbanas agora enfiada entre galinhas, cabritos e cheiro de bosta verde. A loucura das metrópoles contamina nossa alma e, por mais que sonhamos com o isolamento natural da roça, jamais vamos conseguir viver em lugares assim. Tampouco em recantos bucólicos. Não nos agrada, e precisamos do cheiro de diesel e gasolina, de frituras e do pó com fuligem. No segundo dia Beth ainda sorria, tentava ser útil e se esmerava para cuidar da limpeza dos quartos. Pelas janelas e frestas admirava o etéreo visual dos vales infinitos que lhe agradava muito e sonhava com os banhos desestressantes em todas aquelas cachoeiras escondidas na mata. O que faltava era tempo, pois o trabalho parecia não cessar. Para estorvar ainda os inconfessos planos de Beth, o tal amigo era casado com aquele tipo de mulher possessiva ao extremo e acometida por rompantes doentios de ciúmes. Com um agravante: além de ciumenta, era feia. Não há nada mais perigoso nesse mundo do que mulher feia e ciumenta. No fim de cada dura jornada, depois de lavar, esfregar chão, arrumar quartos, lavar banheiros, ajudar na louça, varrer e o diabo, era o momento de uma ou duas cervejas com o casal antes do jantar. Daí restava fôlego apenas para banho, novela e cama. Por duas semanas essa foi a rotina. Nada de cachoeira, nem de cavalgadas, tampouco de caminhadas despreocupadas e muito menos relaxamento à beira das piscinas naturais do vale encantado. Essas coisas eram luxos para os hóspedes pagantes. Beth estava ali de graça e havia topado trabalhar a troco de uma remuneração vergonhosamente baixa. Tudo porque queria uma vida mais espiritualizada no campo e, talvez, isso ela não conta, desfrutar de umas trepadas com o tal amigo. Sua vida virou um inferno pois seu amigo, militarmente vigiado pela esposa, sequer tinha chances de olhar para aqueles grandes olhos insanos e sedutores.
Escrito por Cass às 13h37
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continua...
Numa dessas tranqüilas noites sem hóspedes, ao sair do banho apressada e enrolada numa toalha, Beth trombou com o amigo na grande sala da pousada. A exótica fragrância de mel silvestre exalada de seus cabelos molhados percorreu todos os sentidos do pobre diabo encarcerado. A ínfima tolha branca cobria-lhe apenas a luxuriosa parte que vai dos peitos até um quarto de dedo abaixo da dobra inferior da bunda de modo a expor a exuberância de suas coxas morenas adornadas por gotículas brilhantes. O amigo oscilou e Beth imediatamente leu em seus olhos atônitos o desejo ferver. O pavio dos primitivos instintos do macho fora aceso com essa experiência sensorial. Cheiro da fêmea no cio, água morna, pêlos úmidos, olhos lânguidos. Beth domina habilmente a arte milenar da sedução. Manipula o homem com os olhos e ligeiras contrações dos lábios. Com isso sepulta de vez os últimos resquícios da racionalidade masculina que, via de regra, é ínfima diante dos sortilégios da fêmea. Se atracam na sala. Ele agiu rápido e botou a mão com força em sua buceta, ela chupa sua língua, mordisca seus lábios, tenta dissimular o prazer com ligeiros gemidos ofegantes. Na saleta da recepção, no andar de baixo, novela das oito. Som alto com aquelas intermináveis discussões entre o bem o e o mal. A esposa e a cozinheira compenetradas, como sempre, não notam nada de anormal. A toalha desaba, eis o corpo lascivo de Beth, ainda molhado, já um pouco suado, que o amigo acaricia com voracidade. É bom, e a iminência do flagrante confere ainda mais tesão e adrenalina aos efêmeros amantes. As coisas perdem o controle. Beth senta no sofá, o amigo introduz o pau em sua boca que logo começa a ser sugado com gana e desespero sob o domínio de um desejo febril e incontrolável. O amigo procura manter o pouco que lhe restou de consciência para prestar atenção nos sons da novela e nos degraus de madeira que dão acesso à sala. Beth parece possuída pelo tesão. Age como uma víbora diabólica. Balança a cabeça, retira o pau da boca e salpica o saco do amigo com sua língua musculosa ao mesmo tempo em que bolina o cu do rapaz com seus serelepes dedos. Essas coisas afetam qualquer consciência. Ele a vira mecanicamente, com um brutal solavanco arqueia sua bunda, ela obedece e apóia a cabeça no sofá para se sentir confortável e se abrir inteira. O amigo começa a fodê-la. Primeiro com alguma preocupação, penetra lentamente, mas ela se remexe, seu corpo pede algo mais viril. O tesão não permite cuidados nem regras. Ele começa a bombar com força. Ela geme, ele vai mais fundo, mais forte. O ritmo se acelera abruptamente. O sofá balança, Beth sussurra “me fode, seu puto, me fode”. Esse é o momento que, por segundos, o homem sai de si e volta às suas origens mais remotas e primitivas. Com todos os dedos das mãos encravados naquela bunda dura e oleosa, o amigo mete em Beth com uma força excepcional. Ela gosta e começa a gozar. Ele demora um pouco mais, continua metendo, e solta seu jorro fora esguichando porra por toda bunda de Beth. Acaricia sua bunda melada e brilhante. Beth desaba no sofá, ele se lança sobre ela com sua calça arreada. A tolha pisoteada no chão. A luz do banheiro ainda acesa jogava uma iluminação amarelada para a ampla sala de estar. A consciência volta aos poucos, parece dopada. É como o despertar de um mundo incrivelmente idílico. Beth mantém os olhos fechados, quer prolongar o gozo mas os abre com o sobressalto do amigo que se põe de pé como uma estátua caída do céu. Beth tenta entender a situação e logo descreve, ainda com sua visão um pouco turva, na outra extremidade da sala, a estapafúrdia imagem da esposa e da cozinheira. Acabou-se ali a temporada de Beth no campo. Estava puta da vida porque não lhe pagaram pelas duas semanas de trabalho duro. Mas creio que, no íntimo, sua alma ria satisfeita. Beth nunca ligou pra dinheiro.
Escrito por Cass às 13h36
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